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[Saga: Vidros quebrados] Uma manhã chuvosa

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[Saga: Vidros quebrados] Uma manhã chuvosa

Mensagem por Mr.Puddin em Sab Fev 28, 2015 4:57 pm

A manhã tinha chegado sobre o céu da cidade de Chicago, o sol brilhava nos céus, as nuvens passavam vagarosamente ao sabor da pequena e frágil brisa que soprava. Andrew acabara de acordar, tinha encontrado um prédio vazio nos arredores da cidade e tinha feito dele sua casa, nada de muito extraordinário. Um pequeno colchão duro, alguns livros espalhados pelo chão e as suas roupas dentro de uma data de caixas também elas espalhadas pelo chão frio e sujo.
Eram seis e meia da manhã quando Andrew olhou para o seu relógio, levantou-se da cama vestiu umas calças pretas, calçou as suas all star também elas pretas e o seu casaco cinzento com um capuz que protegia o seu cabelo da chuva, quando o tempo o presenteava com ela. Saiu da sua casa improvisada, colocou o capuz sobre a sua cabeça e começou a caminhar alheio as poucas pessoas que iam passando por ele na rua, muitas delas exibiam fatos formais e malas negras enquanto se mantinham agarradas ao telemóvel que carregavam na mão direita.

"Ratos todos eles são ratos a espera de serem mortos. E tu podias simplesmente acabar com as suas miseras vidas aqui e agora, olha ao teu redor, vivemos num labirinto onde cada esquina esconde uma arma mortal. Estas torres enormes todas elas forradas a vidro. Imagina a chuva carmim que iria cair sobre o chão, oh essa gloriosa chuva. Com um simples gesto podias tornar cada dispositivo que eles carregam numa arma que iria matar cada um deles instantaneamente."

Andrew abanou a cabeça retirando aqueles pensamentos, tinha algo mais importante que fazer, algo que lhe iria dar mais prazer, algo que já andava a preparar à umas quantas semanas.
Era algo que já não fazia à algum tempo, desde que os seus tempos de gangster tinham acabado. Ele chegou a ser conhecido como um dos mais temidos assassinos de Chicago até o seu gang o expulsar e consequentemente ele ter de os matar a todos, só porque sim. Depois disso ele teve de se afastar, afinal todos os membros apareceram mortos tirando um, acho que era fácil deduzir quem os terá morto. Depois disso a sua vida resumiu-se a caminhar e a fazer uns trabalhos aqui e ali com pessoas dos velhos tempos para ter como sobreviver. Afinal, toda a gente precisa de dinheiro e o dinheiro precisa de pessoas para ser usado.
Andrew continuou a andar e voltou a olhar para o seu relógio, eram agora sete de manhã quando o rapaz chegou ao seu destino, um pequeno café com uma esplanada que tinha vista para uma serie de casas, todas elas com cores diferentes, mas aquela que lhe interessava era uma com a cor vermelha. Haveria cor mais bonita do que vermelho, relembrava o sangue, aquilo que nos mantinha a todos vivos era a cor da vida. Mas quando alguém não se sente vivo, algo nasce dentro dessa pessoa, algo obscuro, a necessidade de ver aquilo que nos mantém vivos a jorrar e a vida dessa pessoa a desvanecer no ar, num ultimo e longo suspiro.
Um café fumegante preenchia a mesa quadrada enquanto Andrew prendia o seu olhar entre a casa e o seu relógio. Os ponteiros marcavam agora sete e meia. A chávena foi de encontro a boca do rapaz e este levantou-se deixando uma data de moedas em cima da mesa.

-Esta na hora do pequeno almoço.

O corpo do rapaz aproximou-se da porta, porta esta que tinha uma grande parte feita de vidro, a sua palma da mão esticou-se e sem tocar no vidro fez com que este se estilhaça-se em inúmeros pedaços, colocou uma luva e levou a mão ao interior da porta rodando a fechadura e abrindo a porta, uma vez no interior da casa fechou a porta atrás de si.
A casa estava silenciosa e Andrew sabia que a dona estava demasiado ocupada para se aperceber do que tinha acabado de acontecer, também sabia que o seu namorado não estava em casa e que as pessoas na rua estavam demasiado ocupadas para reparar nele. Subiu as escadas de madeira escura na maior das calmas e ao chegar ao segundo andar ouviu som vindo da casa de banho, como previsto a rapariga estava no banho e tinha o rádio no volume máximo.
O rapaz abriu a porta da casa de banho e trancou-a, sentou-se num pequeno banco que estava ali disposto e esperou que a rapariga acabasse de tomar banho. esta estava tão absorvida com a musica que não se apercebeu de nada até fechar a água, abrir a cortina e se deparar com um rapaz encapuçado sentado mesmo à sua frente. O seu corpo ficou estático e um súbito sentimento de pânico percorreu todo o seu corpo que a fez correr para a porta, tentando abrir a mesma mas em vão.

-Esta trancada. -O rapaz levantou-se e desligou o rádio e a musica foi substituída pelo grito da rapariga. Um grito ensurdecedor. -Calma, não te vou fazer mal, só quero ver os teus olhos. Por isso põe-te de pé antes que eu fique aborrecido.

As pernas da rapariga tremiam de medo e estava completamente nua. Os olhos negros de Andrew percorreram o corpo nu ainda molhado com a água do chuveiro. O capuz caiu e a cara do rapaz cruzou-se com os olhos verdes da rapariga. Duas esmeraldas brilhantes que pareciam querer sair das orbitas da rapariga, o seu cabelo ruivo caia em grande mexas molhadas sobre o seu corpo cobrindo os seus seios. A mão fria de Andrew tocou na face rosada da rapariga que se afastou impulsivamente.

-Shhh. Já vi os teus olhos, por isso já me posso ir embora. O senão é que tu também viste a minha cara. -Uma pequena explosão aconteceu nas costas do rapaz enquanto fragmentos do espelho flutuavam atrás das costas do mesmo. Por momentos a rapariga viu reflectido no espelho a sua expressão de medo e depois numa fracção de segundo uma dor súbita atingiu o seu corpo.

As suas mãos tremiam enquanto o seu olhar se prendia no seu abdómen e um rio de sangue cobria o chão branco da casa de banho. A mão de Andrew foi de encontro ao queixo delicada da rapariga enquanto o levantava, cruzando os olhos verdes com os negros e num ultimo suspiro o verde exuberante se transformava numa sem cor e vida e o corpo da rapariga caia inanimado no chão.
O rapaz saiu da casa vermelha exactamente as oito horas da manhã, na hora exacta em que toda a gente estava a sair para ir trabalhar, apanhado na afluência de pessoas que preenchiam o passeio, olhou para o céu onde uma pequena pinga lhe acertou na face e logo a seguir a esta, uma torrente delas.

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Re: [Saga: Vidros quebrados] Uma manhã chuvosa

Mensagem por Suaz em Sab Fev 28, 2015 5:13 pm

Muito bom, adorei! Manda vir mais destes!
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Re: [Saga: Vidros quebrados] Uma manhã chuvosa

Mensagem por Mr.Puddin em Dom Mar 01, 2015 12:26 pm

@Suaz escreveu:Muito bom, adorei! Manda vir mais destes!

Obrigado, ainda bem que gostaste, não te preocupes que vão vir mais Wink
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Re: [Saga: Vidros quebrados] Uma manhã chuvosa

Mensagem por Zoro dattebayo em Dom Mar 01, 2015 4:19 pm

Eheh gostei do texto Puddin tu descreves muito bem as cenas! Very Happy

Adorei aquela frase: "...toda a gente precisa de dinheiro e o dinheiro precisa de pessoas para ser usado." Faz sentido! xD Tive um pouco de pena do que aconteceu à rapariga. :/ Já agora bem vindo a Chicago onde a justiça prevalece sempre! x)

Fico à espera do próximo! Wink
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Re: [Saga: Vidros quebrados] Uma manhã chuvosa

Mensagem por Mr.Puddin em Dom Mar 01, 2015 8:01 pm

@Zoro dattebayo escreveu:Eheh gostei do texto Puddin tu descreves muito bem as cenas! Very Happy

Adorei aquela frase: "...toda a gente precisa de dinheiro e o dinheiro precisa de pessoas para ser usado." Faz sentido! xD Tive um pouco de pena do que aconteceu à rapariga. :/ Já agora bem vindo a Chicago onde a justiça prevalece sempre! x)

Fico à espera do próximo! Wink

Ainda bem que gostaste, e vou ter em atenção esse aviso Wink
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Re: [Saga: Vidros quebrados] Uma manhã chuvosa

Mensagem por L Mars em Ter Mar 03, 2015 11:28 pm

Já tinha lido mas não tinha comentado.
Gostei muito do Chapter e estou curioso para saber mais =)

Mantenha-nos informado Very Happy

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Re: [Saga: Vidros quebrados] Uma manhã chuvosa

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